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Meu marido me proibiu de ir ao aniversário do pai dele para aparecer com a amante — mas eu entrei de braços dados com meu sogro

Parte 3

Na manhã seguinte, Marina acordou antes das seis, embora mal tivesse dormido. O vestido verde ainda estava sobre a poltrona do quarto de hóspedes, onde ela passara a noite depois de voltar do hotel. Eduardo não tinha chegado em casa quando ela entrou, e ela não perguntou onde ele havia ficado.

Abriu o notebook na mesa da cozinha e começou pelo que conseguia controlar.

Separou documentos pessoais, extratos das contas às quais tinha acesso, comprovantes do financiamento do apartamento e registros dos bens adquiridos durante os dez anos de casamento. Não procurava uma arma contra Eduardo. Queria apenas saber onde terminava o medo e começavam seus direitos.

O casamento tinha sido feito sob o regime de comunhão parcial de bens, como constava na certidão guardada com os outros documentos. Durante anos, Marina raramente havia pensado naquela expressão. Agora entendia que não precisava aceitar a ameaça implícita de ficar sem nada simplesmente porque tinha passado uma parte do casamento cuidando da casa e dando sustentação à rotina que permitira ao marido crescer profissionalmente.

Às nove, procurou uma advogada especializada em direito de família.

A conversa durou pouco mais de uma hora. Marina contou apenas os fatos necessários, sem exageros e sem pedir vingança. A orientação foi simples: não esvaziar contas, não assinar qualquer documento apresentado por Eduardo, preservar os registros aos quais já tinha acesso legítimo e, se decidisse pela separação, fazer tudo de maneira formal.

Quando desligou, sentiu medo.

Mas era um medo diferente.

Não era mais o medo de perder Eduardo.

Era o medo natural de construir uma vida que ainda não sabia como seria.

Pouco antes do meio-dia, a porta do apartamento se abriu.

Eduardo entrou com a camisa amassada e o rosto cansado.

— Você dormiu aqui?

Marina não levantou os olhos dos papéis.

— Dormi.

— Meu pai não atende minhas ligações.

Ela continuou organizando uma pasta.

— Não posso ajudar nisso.

Eduardo puxou uma cadeira e sentou diante dela.

— Marina, nós precisamos acabar com essa loucura.

Ela finalmente o encarou.

— Ótimo. Então me diga a verdade.

Ele franziu a testa.

— Sobre o quê?

— Camila.

— Já falei que você está aumentando as coisas.

Marina fechou a pasta.

— Quantas vezes vocês ficaram juntos?

A pergunta direta fez Eduardo perder a resposta preparada.

Ele desviou o olhar.

— Isso é complicado.

— Não é.

— Marina…

— Uma vez? Cinco? Há seis meses? Um ano?

— Não aconteceu dessa forma.

Ela respirou fundo.

— Você ainda acha que sua melhor saída é brincar com as palavras?

Eduardo se levantou.

— Eu estava passando por uma fase difícil. Nós dois estávamos distantes.

— Quando começou?

Ele ficou parado junto à janela.

— Há alguns meses.

A frase saiu baixa.

Marina sentiu o estômago se contrair, mas não chorou.

— Quantos meses?

— Uns seis.

A confirmação doeu mais do que a foto da noite anterior.

Seis meses de jantares em que Eduardo dizia estar preso em reuniões. Seis meses de viagens em que ele respondia mensagens horas depois. Seis meses em que ela se perguntara se estava sendo exigente demais quando sentia o marido mais frio.

Agora havia uma resposta.

— Você dormiu com ela?

Eduardo fechou os olhos.

— Sim.

Marina virou o rosto.

A cidade continuava do outro lado da janela, indiferente. Carros passavam, um ônibus parou no semáforo e alguém buzina­va na avenida. Aquela normalidade pareceu quase absurda.

— E ontem? — perguntou ela.

— O quê?

— Você pretendia fazer o quê depois da festa?

— Não sei.

— Sabe, sim.

Eduardo se irritou.

— Eu não tinha planejado abandonar você ontem à noite, se é isso que está pensando.

— Então por que me proibiu de ir?

Ele ficou calado.

Marina insistiu:

— Por que, Eduardo?

— Porque eu sabia que você ficaria desconfortável.

Ela soltou uma pequena risada sem humor.

— Você levou sua amante para o aniversário do seu pai para me poupar de um desconforto?

— Eu não disse que foi uma boa decisão.

— Não. Você só está procurando uma frase que faça parecer menos cruel.

Eduardo apoiou as mãos na bancada.

— Eu estava cansado, Marina. Em casa tudo era rotina. Com Camila eu me sentia admirado de novo.

Marina demorou a responder.

— Então a culpa é minha porque nossa vida virou rotina enquanto eu cuidava dela?

— Não estou colocando a culpa em você.

— Acabou de colocar.

Ele tentou se aproximar, mas Marina se levantou.

— Não encoste em mim.

Eduardo parou.

— Eu posso terminar com ela.

— Você fala como se isso fosse um presente.

— Eu estou tentando salvar nosso casamento.

— Não. Você está tentando salvar tudo o que perdeu ontem à noite.

O celular dele tocou sobre a mesa.

Na tela apareceu o nome de Camila.

Eduardo recusou a chamada rapidamente.

Marina viu.

— Atenda.

— Não preciso.

— Ontem você precisava dela no seu braço diante de centenas de pessoas. Hoje não consegue atender uma ligação na minha frente?

O telefone tocou de novo.

Eduardo desligou o aparelho.

— Eu disse que vou acabar com isso.

Marina caminhou até o quarto e voltou com uma pequena mala.

Eduardo olhou assustado.

— Onde você vai?

— Para um apartamento mobiliado por alguns dias.

— Isso é ridículo. Esta casa também é sua.

— Eu sei. E não estou abrindo mão dela. Só não quero dividir o mesmo teto com você enquanto decido o que vou fazer.

Ele bloqueou parte da passagem.

— Marina, espere.

— Saia da frente.

— Meu pai marcou uma reunião amanhã cedo antes do encontro com o conselho.

Ela ergueu o olhar.

— E?

— Ele quer falar comigo.

— Então fale.

— Eu preciso que você esteja lá.

Marina quase não acreditou.

— Para quê?

Eduardo demorou demais para responder.

— Se você explicar que houve um mal-entendido… que as coisas entre nós estavam difíceis, mas que estamos tentando resolver… meu pai pode reconsiderar a sucessão.

A mala pareceu ficar mais leve na mão dela.

Aquela frase apagou a última dúvida que ainda restava.

— Você acabou de admitir que mantém um relacionamento com sua secretária há seis meses.

— E estou dizendo que posso terminar.

— Mas o motivo de você me pedir para ficar não é o casamento.

Eduardo apertou os lábios.

— Eu trabalhei a vida inteira por essa posição.

— E eu passei dez anos ajudando você a construir a vida que permitiu que chegasse até ela. Mesmo assim, ontem você me tratou como um obstáculo que precisava ser escondido.

— Só peço que não destrua minha carreira por causa disso.

Marina ficou imóvel.

— Eu não destruí sua carreira.

— Se você disser ao meu pai que podemos superar—

— Você ainda não entendeu.

Ela pegou a bolsa.

— O que aconteceu na nossa casa é responsabilidade nossa. O que você fez na empresa, levando uma subordinada com quem mantém um relacionamento para um evento ligado ao grupo, é responsabilidade sua.

Eduardo respirou fundo.

— Pelo menos pense antes de tomar qualquer decisão definitiva.

— É justamente o que estou fazendo.

Marina saiu do apartamento.

Nas horas seguintes, desligou as notificações do celular e caminhou durante quase uma hora pelas ruas de Vila Mariana. Pela primeira vez em muito tempo, não tinha uma tarefa preparada para Eduardo, não precisava confirmar um jantar e não precisava explicar onde estava.

No fim da tarde, recebeu uma mensagem de Camila.

“Preciso falar com você. Não para brigar.”

Marina pensou em ignorar.

Depois respondeu.

Encontraram-se em uma cafeteria movimentada. Marina escolheu um lugar público porque não desejava qualquer cena.

Camila chegou sem o brilho da noite anterior.

O colar de diamantes não estava em seu pescoço.

— Eduardo disse que terminou comigo hoje — falou assim que se sentou.

— Isso é um problema entre vocês.

Camila apertou os dedos ao redor da xícara.

— Ele disse que você sabia que o casamento já tinha acabado.

Marina arqueou as sobrancelhas.

— E você acreditou?

Camila desviou os olhos.

— Não completamente.

A honestidade tardia não comoveu Marina.

— Então não tente colocar tudo sobre ele. Você sabia que eu existia. Sabia o suficiente para mandar aquelas mensagens.

Camila ficou vermelha.

— Eu estava com raiva.

— De mim?

Ela não respondeu.

— Eduardo dizia que, depois que fosse anunciado como sucessor do pai, resolveria a situação de vocês — contou Camila. — Ontem eu achei que ele finalmente estava fazendo isso.

Marina sentiu a peça que faltava encaixar.

Não era um plano secreto elaborado contra ela.

Era algo mais simples e, talvez, ainda mais doloroso: Eduardo esperava conquistar o cargo que desejava, exibir Camila ao lado e só depois lidar com a esposa como um problema doméstico.

— Ele prometeu se separar de mim?

— Disse que o casamento de vocês já existia mais por aparência do que por sentimento.

Marina assentiu lentamente.

— Obrigada por responder.

Camila pareceu surpresa.

— Só isso?

— O que você esperava? Que eu jogasse café em você?

— Não sei.

Marina levantou-se.

— Eu não preciso humilhar você. Você fez isso sozinha quando decidiu que ser escolhida por um homem casado significava ter vencido alguma coisa.

Camila ficou sentada.

Marina saiu.

Naquela noite, já instalada no apartamento temporário, ela recebeu uma nova mensagem de Eduardo.

“Meu pai quer você na reunião amanhã às 9h. Eu também quero. Por favor.”

Marina não respondeu imediatamente.

Depois de alguns minutos, escreveu:

“Eu vou.”

Eduardo respondeu quase no mesmo instante.

“Obrigado. Podemos consertar isso.”

Marina leu a frase e bloqueou a tela.

Ele ainda não tinha entendido.

Ela iria àquela reunião.

Mas não para salvar a promoção dele.

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